A Economia da Atenção no jornalismo e nas redes sociais
Enquanto estratégia competitiva que possui implicações mercadológicas subentendidas, no final das contas, a competição é pelo tempo das pessoas. Por isso, programações lineares de veículos tradicionais, programações não lineares de streaming e ambientes digitais projetam mecanismos de uso de conteúdo e tecnologias para maximizar a atenção retida e o engajamento.
O objetivo? Otimizar o valor da atenção para alcance de valores econômicos.
Estratégias no jornalismo para capturar atenção
Nos conteúdos jornalísticos, essa lógica pode ser observada, por exemplo, pelas manchetes chamativas (muitas vezes até sensacionalistas), narrativas em tempo real com convite para que o espectador envie mensagens ou comente e até mesmo na carga cômica ou excessivamente emotiva das matérias. O quebra-cabeça da montanha-russa de conteúdos jornalísticos que fazem o espectador ficar em alerta com a escalada, ficar emocionado, rir ou até mesmo ficar indignado, com raiva. Nada por acaso.
A construção dos blocos de conteúdos jornalísticos segue uma lógica. Conexão entre tempo do espectador e atenção.
A lógica da escalada: TV e digital
Seja na escalada da TV, aquele momento no início do telejornal em que os âncoras falam rapidamente quais serão as principais notícias, ou na “escalada” digital com uso de publicidade programática para divulgar produtos, serviços ou marcas.
Quanto mais atrativo for o conteúdo, maior a probabilidade de manter a pessoa conectada, conversando sobre o que assistiu na TV, fazendo um comentário nas redes sociais ou clicando em vídeos/textos sugeridos.
Redes sociais e a maximização da atenção
As redes sociais tendem a amplificar o processo à medida que empregam algoritmos programados para identificar preferências, capturar interesses e monitorar padrões de consumo.
Recursos como notificações, autoplay de vídeos e recomendações infinitas são desenvolvidos para gerar gancho – ou seja, para capturar a atenção continuamente, de modo a induzir à criação de hábitos automatizados. Nesse percurso, a atenção das pessoas não é apenas disputada, mas também modelada.
Esse contexto revela que tanto veículos tradicionais quanto plataformas digitais desenvolvem modelo de negócios voltado para converter a atenção em ativo econômico mensurável.
Economia da Atenção e Pontos de Contato nas estratégias de Marketing
A conexão entre a Economia da Atenção e o termo Pontos de Contato vem da compreensão de que cada interação entre público e mídia é uma oportunidade de engajamento.
Pontos de contato são instâncias de encontro entre marcas, veículos e pessoas, em que a atenção se materializa em uma experiência comunicativa específica.
Pontos de contato no ambiente digital
No ambiente digital, esses pontos são múltiplos: a leitura de uma reportagem, o clique em um link patrocinado, a interação em uma live ou o simples scroll em um feed. Cada ação se converte em dados, em padrão de comportamento e em possibilidade de monetização.
Assim, a atenção se distribui de forma fragmentada, mas valiosa em diferentes canais.
Para além do mercado: a experiência das pessoas
Para além da dimensão mercadológica, os pontos de contato também evidenciam a centralidade da experiência das pessoas. A disputa pela atenção não se resume somente à captura imediata, mas à criação de vínculos que possam se prolongar e se transformar em sentimentos como lealdade, confiança e admiração.
A atenção, nesse sentido, é tanto um recurso escasso quanto um elo relacional.
Conclusão: atenção como valor social, cultural e econômico
Portanto, a articulação entre Economia da Atenção e Pontos de Contato ilumina a lógica comunicacional da atualidade. Mais do que disputar segundos do olhar, trata-se de desenhar ecossistemas de interação capazes de traduzir a atenção em valor social, cultural e econômico, reforçando a importância de compreendermos criticamente como nossos hábitos de consumo midiático podem ser moldados.
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