O que é Economia da Atenção?
O que é Economia da Atenção? O conceito Economia da Atenção surgiu em 1969 e, em linhas gerais, significa a busca e disputa pela atenção das pessoas em ambientes com alto volume de informações.
Mas o significado da expressão carrega múltiplas nuances que precisam ser conhecidas e discutidas na Comunicação e no Marketing.
A percepção da atenção enquanto ativo valioso não nasceu com as redes sociais.
O conceito de Economia da Atenção surgiu da observação do economista e cientista social Herbert A. Simon sobre a transformação do mundo moderno em um ambiente rico em informação.
Durante uma conferência realizada em 1969, Simon destacou que a abundância informacional não é, em si, um recurso ilimitado e positivo. Pelo contrário, ela gera um impacto social e biológico: a escassez da atenção humana com múltiplos desdobramentos nos processos sociais.
Complexidades que permeiam os estudos de consumo e o share of mind, mas não se encerra aí.
Atenção e consumo: complexidades
Disputar pela atenção das pessoas vai muito além da busca por performance de lembrança de marcas em ações de comunicação e marketing. Estamos diante de uma nova fase, ainda que sob os mesmos fundamentos.
Essa abordagem deve ser explicada para a sociedade e profissionais da área de comunicação e marketing. Economia da Atenção envolve diversos outros fatores que não somente hábitos de consumo.
Para compreender o cenário em perspectivas macro e micro, o assunto exige estudos aprofundados e interdisciplinaridade. Portanto, fórmulas repetidas tendem a simplificar o conceito e gerar compreensão superficial.
Com esse entendimento, a doutora em mídia pela UFF e profissional de Comunicação e Marketing Cinthya Pires desenvolve pesquisas há mais de 10 anos. Nessa época, a expressão não estava na moda, mas seu olhar já estava atento às tendências dos meios e aos movimentos das audiências.
“Na atualidade, em virtude dos mecanismos utilizados pelas redes sociais, há muitos discursos vinculando a temática da atenção com o consumo e a lembrança de marcas. Com intuito de se apropriar do discurso comercial e de persuasão, essa abordagem segue a onda dos sites de redes sociais e da intensa conectividade. Porém, esse assunto é mais complexo do que parece e afeta todos nós de modo individual e coletivo”, declara Cinthya Pires autora do livro Mercado da Atenção e Arena Midiática.
A pesquisadora ainda destaca que a compreensão do conceito deve ser amparada considerando aspectos sociohistóricos, políticos, econômicos e tecnológicos. Portanto, o discurso que enfatiza o ambiente proporcionado pelas tecnologias digitais traz uma falsa percepção de que é algo novo, pró
Atenção e consumo: complexidades do passado intensificadas no século XXI.
A Economia da atenção não é um conceito novo.
Há mais de 50 anos, Simon, já sinalizava em seu discurso um dos tópicos da questão: a lógica econômica. Assim como em ecossistemas a superabundância de um recurso gera escassez de outro, a riqueza de informação cria pobreza de atenção.
Essa formulação agrega olhar para a capacidade limitada de recepção e processamento de informações, deslocando o foco da produção e da transmissão de dados.
Vale mencionar que Simon estava mais voltado para esses fluxos em ambiente organizacionais.
Nesse raciocínio, a atenção é concebida como um recurso escasso, não expansível à vontade, que precisa ser alocado de modo eficiente.
A analogia com sistemas computacionais da época reforça a ideia: tanto pessoas quanto máquinas só poderiam realizar uma tarefa por vez.
Logo, quanto mais informações circulam, mais seletivo deve ser o uso da atenção disponível.
Esse ponto de vista antecipou desafios que hoje são centrais no campo da comunicação e do marketing. Para Simon, o custo real da informação não está apenas na sua produção, mas principalmente no tempo dedicado por quem consome conteúdos e informações.
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