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MUSEU de MEMES – Entrevista exclusiva

MUSEU de MEMES – Entrevista exclusiva

O Museu de Memes é um projeto desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense (UFF) que envolve pesquisa e atividades de extensão sobre memes disseminados nas redes sociais online. Proporciona difusão de conhecimento para profissionais e pesquisadores interessados no tema e na natureza desses conteúdos.

Imagina acessar base histórica online de memes, entender suas origens, regiões que mais repercutiram, como se disseminou e em quais plataformas, além de contar com reflexões de estudiosos e indicações de leituras com base científica no tema? Isto é possível e está ao alcance de todos através de um webmuseu.

#MUSEUdeMEMES nasceu de modo gradativo e espontâneo, fruto do crescente interesse e da curiosidade sobre esse fenômeno midiático. A partir de atividades isoladas realizadas há cerca de cinco anos, formação de grupo de pesquisa e também do projeto de extensão #memeclube, a consequência foi o lançamento do webmuseu em junho de 2015.

Atuando oficialmente há pouco mais de um ano, o projeto conta com a contribuição de estudantes de graduação e de pós-graduação de diferentes cursos e instituições, como UFF, UERJ e UFRJ, e possui atuação abrangente. Além de realizar encontros abertos ao público, os #memeclubes, ainda há a intenção de levar o #MUSEUdeMEMES para um museu real, com exposição temporária produzida pelo corpo docente e discente.

A Pontos de Contato entrevistou com exclusividade o Professor Doutor em História, Política e Bens Culturais pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (Cpdoc-FGV), coordenador responsável pelo projeto de extensão #MUSEUdeMEMES e também coordenador do curso de graduação em Estudos de Mídia da UFF.

 “Há uma grande confusão, do ponto de vista do marketing corporativo, entre as

estratégias de ação e a espontaneidade do consumo de seus públicos”

PTC – Os “bordões” baseados em personagens de novelas ou programas de auditório possuem influência dos meios de comunicação de massa. Como você avalia essa relação entre meios de comunicação e as reapropriações populares?

Viktor Chagas – Os meios de massa são fundamentais para gerarem o que eu enxergo como um pontapé inicial para a criação coletiva. Eles fornecem o insumo sobre o que conversamos. Então, não apenas os bordões mas todo e qualquer produto cultural adaptado pelos meios de massa é passível de ser apropriado e ressignificado livremente por criadores de memes, que muitas vezes reelaboram personagens, criam novos contextos, e muito mais. Na televisão, fala-se em segunda tela, quando os internautas assumem a condição de comentadores dos conteúdos televisionados enquanto os assistem. Essa é a relação típica dos criadores de memes com os produtos dos meios de massa.

PTC – Seria possível estabelecer alguma relação entre a produção de memes com a cultura do consumo e do compartilhamento?

Viktor Chagas – Sim. Muitas. Os memes estão imersos nesta lógica do remix e das reapropriações, mas, acima de tudo, são conteúdos que se propagam, ou que se espalham. Sem compartilhamento, não há meme. Ainda que não possamos dizer, à moda dos primeiros teóricos que ajudaram a conceituar o termo, que um meme bem sucedido é apenas aquele se propaga com bom alcance. No meu entender, os virais estão mais associados ao consumo e ao compartilhamento do que os memes, nesse sentido. Esses, sim, são conteúdos que dependem da sua propagação para sobre-existirem.

PTC – A partir de estudos realizados, é possível identificar temas mais suscetíveis de serem compartilhados e comentados no ambiente online?

Viktor Chagas – Sem dúvida. No ambiente da política, por exemplo, que é mais afeito ao que pesquiso, é possível avaliarmos, através da produção de memes sobre um determinado candidato, como os internautas estão reagindo às suas propostas ou à sua performance durante um debate eleitoral. Pesquisas de opinião e comportamento eleitoral, por exemplo, podem se beneficiar intensamente de análises sobre o universo de produção e circulação dos memes de internet. É em cima disso que venho tentando trabalhar.

PTC – Atentas ao engajamento proporcionado pelos memes, marcas procuram se inserir nesse contexto para viralizar suas mensagens publicitárias. Para isso, utilizam mecanismos de humanização e estabelecimento de conversas, sobretudo através das redes sociais. Como você avalia essas tentativas de aproximação das marcas junto ao público?

Viktor Chagas – Há uma grande confusão, do ponto de vista do marketing corporativo, entre as estratégias de ação e a espontaneidade do consumo de seus públicos. Isso tem levado muitas marcas a criarem ações e campanhas que leem seus consumidores como entidades passivas e sujeitadas, quando na verdade o que temos são cada vez mais audiências ativas e criativas.

“A principal recomendação aos profissionais

analistas de mídia é a do respeito.”

PTC – Como autor de artigo sobre ativismo político e o movimento do “vomitaço”,  Como ocorre o processo de influência para mobilizar ações coletivas de ampla repercussão no espaço público?

Viktor Chagas – Seguindo o mesmo raciocínio do marketing corporativo, as ações políticas funcionam tanto melhor quanto mais dotadas de espontaneidade. O Vomitaço surgiu como um movimento espontâneo, e, como todo movimento social, passa por um certo processo de institucionalização ou formalização, em que a influência sobre seus seguidores pode se ampliar, mas o engajamento deles pode diminuir. A conferir.

PTC – Os analistas de mídias sociais convivem com o universo de memes e muitas vezes precisam tomar decisões rápidas. Você faria alguma recomendação aos profissionais que atuam como Social Media e aos estudantes que desejam seguir esta atividade?

Viktor Chagas – Acho que a principal recomendação aos profissionais analistas de mídia é a do respeito. O respeito à espontaneidade do meme, o respeito à autoria, quando houver, o respeito ao gênero e ao contexto em que o meme surgiu, o respeito à comunidade que o criou, o respeito ao consumidor da marca para quem ele produz suas ações ou presta serviço. Isso não significa que devemos venerar os memes ou reificá-los. Ao contrário. Isso significa que o princípio absoluto segundo o qual a “zueira never ends” subentende o fato de que não podemos controlar o incontrolável.

O museu possui um acervo com mais de 300 indicações de livros e artigos relacionados ao tema. De acordo com Chagas, “a base de dados de referências bibliográficas do projeto sobre o tema dos memes de internet é talvez a base mais completa em todo o mundo. Já recebemos consultas de pesquisadores de diferentes regiões do país e até de outros países.”

Para conferir sugestões de leituras e referências bibliográficas, vale acessar o #museudememes

Sobre Cinthya Oliveira

Mestre em Mídia, Jornalista e Publicitária. Possui interesse em estudos sobre modelos de negócios, processos de produção em mídia e possibilidades de envolvimento do público. Além das atividades em comunicação, desenvolve estudos acadêmicos e contribui com a capacitação de profissionais.

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