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Briga entre gigantes: Record, SBT e Rede TV! retiram sinal para TV Paga

Briga entre gigantes: Record, SBT e Rede TV! retiram sinal da TV Paga

Briga entre gigantes: Record, SBT e Rede TV! retiram sinal da TV Paga

Record, SBT e Rede TV! fazem parte da Simba Content, uma joint venture formada por essas três emissoras de rede da televisão aberta. Com atuação integrada, juntos decidem cortar o sinal transmitido pelos sistemas de TV Paga. A partir da próxima quarta (29), esses canais sairão do line up das operadoras de TV por Assinatura – nesse momento na região metropolitana de São Paulo e Brasília.

O comunicado já foi dirigido ao público, como resultado das negativas de negociações iniciadas com as operadoras. Um dos principais objetivos dessa parceria entre Record, SBT e Rede TV! é a disputa com as operadoras de TV por Assinatura para que os canais HD sejam remunerados pela distribuição de conteúdo realizada por gigantes como NET, Claro, Embratel, Sky, Vivo e Oi.

A reivindicação das emissoras de tv aberta é que haja um contrato com previsão de repasse de valores uma vez que as operadoras recebem sinal das respectivas programações. Como esses canais carregam um volume considerável de telespectadores e share de audiência significativo, mesmo entre o universo de assinantes, a negociação interpela para que seja realizado o mesmo tratamento recebido pelos estúdios internacionais e canais carregados nos pacotes por assinatura.

O número de assinantes e os índices de audiência são alguns dos indicadores que balizam as negociações para a remuneração prevista em cláusulas contratuais entre canais e operadoras, em virtude do carregamento dos conteúdos. Como diz o ditado, não existe “almoço grátis” e, portanto, as emissoras abertas reivindicam seus direitos e defendem seus interesses.

Até então o conteúdo dos canais nunca foi remunerado pelas operadoras. E diante do alarde junto ao público telespectador, muitas informações são desencontradas ou incompletas. Enquanto as emissoras informam, a pressão aumenta junto às operadoras.

Record, SBT e Rede TV! juntos pelo mesmo propósito

Record, SBT e Rede TV! estão utilizando o bloco Simba Content para negociar condições igualitárias e fazer frente aos demais grandes players produtores de conteúdos, nacionais e internacionais. A atuação casada nesta negociação junto às operadoras é apenas o início de outras ações integradas – vide campanha sobre desligamento do sinal analógico com celebridades. Divulgado nas mídias sociais e nos breaks dos canais, o vídeo conta com a participação de Carlos “Ratinho” Massa (SBT), Luciana Gimenez (Rede TV!) e Rodrigo Faro (Record).

Este pode ser o teste de uma parceria com objetivos grandiosos, inclusive para a distribuição de conteúdos em outros países, ou ainda a composição de uma programadora – a exemplo da Globosat? Especulações a parte, fato que a TV Globo não está envolvida nessa contestação. Uma das empresas do Grupo Globo, a Globosat possui atuação relevante no segmento de TV por Assinatura.

Responsável por produzir conteúdos e pela gestão de canais nacionais, Globosat reconhecida como a maior programadora de conteúdo da América Latina. A empresa também é parceira de grandes estúdios internacionais como Universal e Telecine. Nessa linha, ainda que com atuação reduzida nos últimos anos, também deve constar que o Grupo Globo possui participação social nas operadoras Net e Sky.

Os novos planos de Simba para Record, SBT e Rede TV! podem demonstrar um planejamento estratégico bem articulado para competir com as operadoras. De acordo com Ricardo Feltrim, na coluna TV & Famosos do UOL, a empresa já iniciou negociações com outros aliados como Netflix e Amazon.

Enquanto disputam a remuneração com as operadoras de TV por Assinatura e determinam a suspensão do sinal, os canais poderão abastecer serviços de streaming com conteúdos próprios, como novelas, produtos jornalísticos, materiais especiais e linha de shows, entre outros. E, obviamente, serão remunerados por isso.

Essa decisão projeta o bloco Simba para um novo patamar, com aliados igualmente fortes e que também mantém um histórico de competição com as operadoras. Com o crescimento da base de assinantes da Netflix no mercado brasileiro e a movimentação de fãs defensores de séries, o serviço de streaming tem sido apontado como uma das causas para a retração do mercado de TV por Assinatura.

Agravantes como uso de grande volume de transmissão de dados dos serviços de internet banda larga (que atuam juntos com as operadoras de TV Paga) para exibição dos conteúdos e ausência de impostos por legislação que regule o setor de streaming, intensificam os debates e sensibilizam

 

Record, SBT e Rede TV! versus operadoras

Com tantas controversas, quem estaria com a razão? Operadoras ou radiodifusores? Pela Lei 12.485/2011, a famosa Lei da TV Paga que estabelece cotas de conteúdos qualificados e independentes nos canais de TV por Assinatura e proporciona fomento à produção brasileira, a palavra final é da radiodifusão.

Ou seja, essa lei dispõe sobre a comunicação audiovisual de acesso condicionado (SeAC) e prevê que as emissoras indiquem o melhor negócio para distribuição de conteúdos. Caso as operadoras não queiram pagar, o sinal pode ser cortado. Agora, se os canais tenham interesse em transmitir gratuitamente, as operadoras de TV Paga são obrigadas a inclui-los no line-up.

No momento de mudanças, com a evolução do cronograma de desligamento do sinal analógico e distribuição exclusiva através do digital, as negociações se intensificaram e as divergências também. Questões técnicas que permeiam o sinal via DTH também estão sendo abordadas. Uma possível solução para o impasse é que as operadoras agreguem em seus receptores um módulo através do qual seja recebido o sinal terrestre digital das emissoras abertas.

Essa alternativa envolve investimentos, mas eliminaria a obrigação de contrato de remuneração junto aos radiodifusores. Sob análise da Anatel e a Procuradoria Federal Especializada no tema, essa medida liberaria as operadoras de cumprirem as atuais exigências dos canais abertos.

Enquanto isso, as operadoras de TV por Assinatura, através da ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) defendem seu posicionamento. O argumento é que não há condições de absorver o montante exigido pelos canais abertos. Com o mercado brasileiro em crise, players indicam estagnação no setor e redução na base de assinantes.

Para arcar com esse compromisso, uma possibilidade seria repassar os custos para os usuários. Como é sabido, alguns canais a la carte são inclusos no pacote das operadoras mediante solicitação dos clientes. Porém, esse não parece ser a opção mais sensata, uma vez que os telespectadores estão habituados a receber gratuitamente os conteúdos dessas TVs, por isso são “abertas”.

Disputas a parte, esse debate vai longe. Enquanto isso, vale acompanharmos as articulações com instâncias governamentais, as reivindicações dos telespectadores, e, claro, a queda de braço entre os gigantes. Se não existe “almoço grátis”, que não seja o consumidor quem pague desta vez.

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Sobre Moisés Oliveira

Especialista em Marketing Digital, acompanha tendências e oportunidades de Comunicação Integrada. Responsável pela estratégia online e performance de anunciantes em diferentes segmentos, sua atuação em agências de publicidade e veículos de comunicação agrega valor à carreira iniciada na Administração.

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